Abriu a torneira e entrou pelo cano. A princípio incomodava-o a estreiteza do tubo. Depois se acostumou. E, com a água, foi seguindo. Andou quilômetros. Aqui e ali ouvia barulhos familiares. Vez ou outra, um desvio, era uma secção que terminava em torneira.
Vários dias foi rodando, até que tudo se tornou monótono. O cano por dentro não era interessante.
No primeiro desvio, entrou. Vozes de mulher. Uma criança brincava. Ficou na torneira, à espera que abrissem. Então percebeu que as engrenagens giravam e caiu numa pia. À sua volta era um branco imenso, uma água límpida. E a cara da menina aparecia redonda e grande, a olhá-lo interessada. Ela gritou:“Mamãe, tem um homem dentro da pia”.
Não obteve resposta. Esperou, tudo quieto. A menina se cansou, abriu o tampão e ele desceu pelo esgoto.
Ignácio de Loyola Brandão
Desafio: O primeiro a classificar corretamente a oração destacada no conto, e enviar-me a resposta por comentário aqui no blog, ganha um prêmio...
ATENÇÃO: o conto será feito em classe! Você só copiará o começo e o levará para a aula!!!
Leia com atenção a proposta de redação no link a seguir. Siga as instruções cuidadosamente, pois parte será feita na folha de redação, parte será feita no caderno. Aproveite para aprender mais sobre o conto contemporâneo.
Vamos ler vários contos para aprender mais sobre esse gênero. Sugiro a leitura do conto a seguir, de Lygia Fagundes Telles. A história é conhecida, lembrada no filme "Sempre a seu lado". Também podemos compará-lo ao vídeo "Father and Daughter", que postei aqui.
A disciplina do amor
Foi na França, durante a Segunda Grande guerra: um jovem tinha um cachorro que todos os dias, pontualmente, ia esperá-lo voltar do trabalho. Postava-se na esquina, um pouco antes das seis da tarde. Assim que via o dono, ia correndo ao seu encontro e na maior alegria acompanhava-o com seu passinho saltitante de volta à casa. A vila inteira já conhecia o cachorro e as pessoas que passavam faziam-lhe festinhas e ele correspondia, chegava até a correr todo animado atrás dos mais íntimos. Para logo voltar atento ao seu posto e ali ficar sentado até o momento em que seu dono apontava lá longe.
Mas eu avisei que o tempo era de guerra, o jovem foi convocado. Pensa que o cachorro deixou de esperá-lo? Continuou a ir diariamente até a esquina, fixo o olhar naquele único ponto, a orelha em pé, atenta ao menor ruído que oudesse indicar a presença do dono bem-amado. Assim que anoitecia, ele voltava para casa e levava sua vida normal de cachorro, até chegar o dia seguinte. Então, disciplinadamente, como se tivesse um relógio preso à pata, voltava ao posto de espera. O jovem morreu num bombardeio mas no pequeno coração do cachorro não morreu a esperança. Quiseram prendê-lo, distraí-lo. Tudo em vão. Quando ia chegando aquela hora ele disparava para o compromisso assumido, todos os dias.
Todos os dias, com o passar dos anos (a memória dos homens!) as pessoas foram se esquecendo do jovem soldado que não voltou. Casou-se a noiva com um primo. Os familiares voltaram-se para outros familiares. Os amigos para outros amigos. Só o cachorro já velhíssimo (era jovem quando o jovem partiu) continuou a esperá-lo na sua esquina.
As pessoas estranhavam, mas quem esse cachorro está esperando?… Uma tarde (era inverno) ele lá ficou, o focinho voltado para aquela direção.
DESAFIO! O primeiro aluno a me enviar a resposta correta, ganha! Qual a classificação da oração sublinhada no segundo parágrafo do conto?
Releia o conto de Machado de Assis "A Carteira". Se não encontrar a apostila, pode lê-lo AQUI. Procure as orações subordinadas que aparecem nesse conto.
P.S. Quem enviar primeiro uma oração subordinada adverbial que apareça no conto, ganha o prêmio! (Tem que estar correta, e não vale a que passei no caderno!)
Um dos mais famosos novelistas e dramaturgos russos, Anton Tchekhov nasceu em Taganrog, em 1860, e faleceu em 1906.
Médico de profissão, Tchekhov começou sua carreira como escritor em 1880, com a publicação de alguns ensaios literários. A partir daí não demorou muito para que o então desconhecido escritor alcançasse uma extraordinária popularidade, não só por suas novelas mas também por suas peças, das quais as mais conhecidas são: "As Três Irmãs", "Ivanov", "O Tio Vania e a Cerejeira".
Seus contos, tanto quanto suas peças são, em geral, obras-primas que harmonizam perfeitamente a forma e a precisão vocabulares à uma sedutora e corretíssima fluência verbal, sem deixar de conter também um conteúdo lírico dos mais densos.
(Renato Roschel)
Ouça um dos contos de Tchekhov: O bilhete de loteria. Clique em "faixa 7" para ouvir!
Oi, pessoal! Começamos a estudar contos. Vamos trabalhar com a leitura, análise e, posteriormente, escrita desse texto narrativo.
O segredo para escrever um bom conto? Ler vários bons contos antes de escrever o seu!
Vou postar aqui um conto por semana. Começo com "O curioso (ou estranho) caso de Benjamin Button", de F. Scott Fitzgerald, que deu origem ao filme. Não se assustem: o arquivo é longo, mas as páginas são pequeninas... E a história é surpreendente! Leiam, leiam! É maravilhoso! Clique no livrinho para ampliar a imagem.